Ubatuba em Revista

Birdwatching

Falando de urubus

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urubu-reiPode parecer estranho falar de urubus. Nos acostumamos a desprezar essas aves, esquecendo das suas características maravilhosas e do quanto elas são importantes.
O urubu comum foi a primeira ave brasileira protegida por lei federal, isso foi há mais de cem anos. Não fosse o urubu comum, nós humanos, estaríamos sujeitos a muito mais doenças.
Pouco olhamos para os urubus, no Brasil temos seis espécies dessa família, duas delas são especificas, uma da amazônia e a outra do pantanal e, muitos nem sabem que temos quatro espécies diferentes de urubus em Ubatuba.
O mais conhecido de todos é o urubu comum (Coragyps atratus, 62 cm) associado aos ambientes urbanos; nas bordas da mata, voando solitário, podemos observar o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura, 73 cm) e o mais difícil de observar, que é o urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus, 58 cm).
A quarta espécie, mas muito mais difícil de observar aqui em Ubatuba, é o urubu-rei (Sarcoramphus papa, com 79 cm) que de todos, realmente, é o mais bonito.
Todos são ótimos planadores, mas em minha opinião o urubu-de-cabeça-vermelha é o melhor e, compartilho da opinião de Tom Jobim que chegou a lhe dedicar um disco. O nosso Gastão Madeira dedicou-se a observar o vôo dos urubus e idealizou um mecanismo que permitiria a estabilidade do vôo dos aviões, princípio que é utilizado até hoje nas aeronaves. Isso foi em 1892, muito antes de Santos Dumont pensar no 14 Bis.
Os velejadores de vôo livre quando necessitam de uma corrente ascendente para voar com seus planadores, sempre buscam onde estão os urubus brincando de roda nos ares quentes, ali é certeza de vôo seguro e prolongado.
Aqui em Ubatuba o melhor lugar para se observar o urubu-de-cabeça-vermelha é indo no sentido de Itamambuca, logo depois da Praia do Alto, no começo da descida do morro em frente ao ponto de ônibus. Ali eles ficam brincando no ar e pela altura do lugar é muito simples de fotografar e se inspirar numa homenagem a Tom Jobim:

São vários os nomes deste urubu:peba, urubupeba, urubu caçador, achador, procurador, ministro, urubu gameleira, urubu-peru, perutinga, urubu-mestre...
Mestre é pra poucos!
Acariciado o piano, o mestre Tom Jobim anteviu tendências musicais olhando para os céus e invejando o mestre urubu apalpando e dedilhando o vento.

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Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #05 - Clique aqui e confira a revista na íntegra.

 

 

Guarás, O encantamento é inevitável

Foto: Carlos Rizzo

“...Algumas aves notáveis há também nestas partes, a fora estas que tenho referido, de que também farei mençam e em especial tratarei logo de humas maritimas a que chamam Goarás, as quaes seram pouco mais ou menos do tamanho de gaivotas. A primeira penna de que a nature as veste, he branca sem nenhuma mistura mui fina em extremo. E por espaço de dous annos pouco mais ou menos a mudam...Depois dahi a certo tempo pelo conseguinte a mudam e tornam-se a cobrir doutra mui vermelha, e tanto, como o mais fino e puro cramesim que no mundo se pode ver e nesta acabam os seus dias.”

Este texto foi extraído do livro História da Província de Santa Cruz (Brasil) de Pêro de Magalhães Gândavo publicado no ano de 1575.

Esta não é a primeira descrição do nosso guará, Eudocimus ruber. Hans Staden foi o primeiro em 1550 e Anchieta descreveu em 1560 sua visão mágica de um bando de guarás formando uma “nuvem” que lhe protegeu do sol abrasador quando atravessava Peruíbe.

Difícil descrever a sensação do avistamento de um bando dessas aves. Quando estivemos no estuário de Santos, nosso objetivo, a princípio o único, era fotografar os guarás. Mesmo num dia em que tivemos todos os tempos e temperaturas possíveis, do frio úmido à chuva, do nublado abafado ao sol escaldante, provocando oscilações de luminosidade e inviabilizando muitas fotos, o encantamento foi inevitável!
Os guarás não são grandes, medem 58 cm, Gândavo viu certo quando comparou com uma gaivota, andam em bandos de até 70 indivíduos. Vivem em mangues e a cor carmesim é provocada pela sua alimentação rica em caroteno que encontra em pequenos crustáceos exclusivos desses ambientes.
Não existe diferença de plumagem entre o macho e a fêmea, mas na época da reprodução o bico recurvo nos machos adquire uma cor negra brilhante que permite a diferenciação.
Os avanços urbanos sobre os mangues e a poluição destruindo o seu alimento restringe a ocorrência dos guarás a poucos lugares no Brasil. No estuário de Santos eles haviam perdido o ambiente, mas na década de 80 se iniciou um processo de despoluição que hoje permite o retorno dessas que muitos consideram a mais bela ave brasileira.

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #04 - Clique aqui e confira a revista na íntegra.
 

Águia-pescadora uma ave majestosa!

Por conta do livro com fotos de Ricardo Martins “O Encanto das aves” que será lançado em outubro na abertura do IV Festival de Observação de aves de Ubatuba tivemos que ir até o estuário de Santos no município de Cubatão para fotografar os guarás.
São lindos! Essas aves fazem você esquecer que está num dos lugares mais poluídos do país, mas dos guarás falarei em outra oportunidade.
O barqueiro foi contratado por duas horas, seria das nove às onze horas da manhã durante a maré baixa e nem levamos lanche. O lugar é imperdível para os amantes das aves e nós encontramos o cenário ideal para mais de oito horas de trabalho com inúmeras fotos. A maré encheu, choveu, fez frio, muito frio. Deu uma vontade enorme de uma comidinha quente e ficamos na vontade, com os pés gelados e o estomago vazio, durante oito intermináveis horas.
Já estávamos voltando, cansados (cansados mesmo) quando alguém avistou uma ave numa bóia sinalizadora.
- É um urubu. Alguém falou cansado e desinteressado.
Para conferir usei como binóculo a lente da máquina fotográfica para identificar a ave enquanto os outros buscavam os seus binóculos.
- Não é urubu! Afirmei e comecei a clicar assim que ela levantou vôo.
- É uma águia pescadora! Tardiamente alguém gritou enquanto tentava pegar desesperado a sua máquina fotográfica. E eu clicando. Está clicado!
Está ai o resultado.
A águia-pescadora era uma das aves dos meus sonhos. Sonho que considerava impossível por ela ser pouco comum aqui no Brasil. Quando conferi as fotos não acreditei naquele peixe (paraty) que ela carregava., pois nem vi na hora da foto.
Águia-pescadora, Osprey em inglês ou com o nome científico de Pandion haliaetus é uma ave majestosa! Não pelo tamanho, mas pela capacidade de se aproximar dos peixes, em pleno vôo e pesca-los com suas garras sem mergulhar na água. Pescando em pleno vôo! Imaginem a força que ela deve possuir para suportar o impacto na água, agarrar o peixe e alçar vôo em busca de um local seguro para a degustação.
Aqueles dois malucos caçadores de mitos de um programa de televisão fizeram as contas: Fosse para nós humanos realizar o mesmo feito, caso tivéssemos a capacidade de voar e respeitadas as proporções, entre chegar, agarrar o peixe e voltar a voar teríamos o esforço equivalente a mil quilos. Uma tonelada voando! Com esse corpinho que não levanta cem quilos (10%) do chão... sabe quando?
A realidade é que não somos águias-pescadoras. Somos humanos e temos a oportunidade de sermos felizes pelas oportunidades que a vida nos oferece (mesmo com fome e frio, como neste meu caso) de conhecer e avistar essas aves maravilhosas.
Observe aves e seja feliz!

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #03 - Clique aqui e confira a revista na íntegra.

 

IV Festival de Observação de Aves de Ubatuba 2009

Os bastidores organizacional do IV Festival de Observação de Aves de Ubatuba 2009 está a todo vapor. A programação tem como base o sucesso do ano anterior e o aprimoramento do aprendizado, e com esta experiência enriquecendo a programação.   A abertura será no dia 3 de outubro e transcorrerá durante todo o mês com lançamento de livro, exposição de fotos fixa e itinerante, apresentação do roteiro das aves de Ubatuba, Safári fotográfico, mini curso de fotografia, ciclo de palestras com cientistas, pesquisadores de renome internacional e participação inédita no desfile do aniversário da cidade com carro alegórico.  
O Ubatubabirds não para, dentre suas várias realizações ocorridas durante este ano ele vem somando seus feitos ao festival que com carinho estão preparando para todos nós. Os interessados fiquem atentos, que para aquecer as asas rumo esta jornada estaremos por aqui falando do trabalho dos palestrantes envolvidos, dos trabalhos pautados, assim vamos construindo uma intimidade com você leitor que poderá vir a se identificar e entender este mundo rico de oportunidades.

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #03 - Clique aqui e confira a revista na íntegra.

 

Pavó ou pavoa

É uma ave de porte avantajado, 46 cm. Só para comparar, a pomba comum, aquela que vive nas praças, mede 30 cm.

Sabe aquela brincadeira de soprar a boca de uma garrafa para produzir um som? De algumas garrafas sai um som grave e profundo este som é assemelhado ao som da voz do pavó. Quem já ouviu o pavó no mato sabe a mágica que o som produz, é quase inacreditável que seja uma ave, o primeiro pensamento é que alguém está brincando de soprar a boca da garrafa, mas é o pavó. Aliás vários pavós, por incrível que possa parecer eles cantam em grupos. Imagine o efeito sonoro!

Para os caiçaras é pavoa. Você fala pavó eles demoram para entender, você descreve a ave e eles respondem satisfeitos: Ah! É a povoa!
Nome comum das aves brasileiras não se discute. Temos 1800 espécies de aves e temos catalogados mais de oito mil nomes. Uma média de quatro nomes diferentes para cada ave! Melhor não discutir, em Ubatuba o nome é pavoa. Qualquer duvida o nome científico do pavó é Pyroderus scutatus.

É uma ave de porte avantajado, 46 cm. Só para comparar, a pomba comum, aquela que vive nas praças, mede 30 cm.
Apesar do tamanho o pavó tem vôo rápido e seguro, voa ao menor sinal de perigo e em poucos segundos desaparece no meio da mata mergulhando por entre folhas e cipós.

São poucos os ambientes em que se pode avistar um pavó. No verão sobem para altitudes maiores e descem de maio a novembro. Em Ubatuba é mais fácil de avistar o pavó mais ao norte se bem que outro dia subindo a serra de Taubaté um deles passou por nós. E mais incrível, no ultimo Avistar Brasil, que acontece em plena cidade de São Paulo, apareceu um pavó. Foi a maior correria, todo mundo queria fotografar, mais ainda os cariocas que tem menos oportunidade de avistar. Virou notícia e o pavó no Avistar deixou muita gente feliz!

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #02 - Clique aqui e confira a revista na íntegra.

 
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