Ubatuba em Revista

“A Língua das Mariposas" - Cinema, com cara de cinema!

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Os últimos filmes a que temos assistido - especialmente os nacionais - são televisão, na tela grande. Mas o cuidado com a fotografia, os enquadramentos, o tempo dos takes, os olhares, os detalhes simbólicos, que o filme “A Língua das Mariposas” apresenta, é coisa rara.
A temática, claro, para boa compreensão, pede conhecimentos prévios de história, por parte do espectador. Pessoas que não tenham idéia do que foi a guerra civil espanhola, certamente o entenderão como um filme de final estranho.
Nesse episódio da história, de um lado se posicionaram as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas as classes e instituições tradicionais da Espanha (exército, igreja e latifundiários) e do outro a Frente Popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os
partidários da democracia. Foi um triste período que antecedeu e pré-anunciou a barbárie da 2ª. Guerra Mundial.
O filme apresenta Moncho, um garoto que está descobrindo o mundo que o cerca, exatamente nesse momento em que a Espanha vive esse conflito interno entre conduções políticas. Ele é orientado por seu professor, Don Gregório, republicano convicto.
Aspectos muito conflitantes numa guerra, como posturas religiosas, escolhas ideológicas, engajamento político-partidário e a sobrevivência familiar, são expostos, numa mistura de simbologia e naturalismo.
Outra característica fascinante da obra, é o fato de que, ao término do filme, fica a “urgência” (como diria Denise Stoklos), a necessidade de discussão sobre ele.
Um filme que leva a pensar e refletir tem muito mérito, nos dias atuais.
Vale ser buscado nas locadoras.a

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