Depois de quase duas semanas de debates em Nagoya, no Japão, os representantes dos 193 países presentes à 10ª Conferência sobre Biodiversidade da ONU (Cop 10) concordaram em adotar um pacote de medidas de proteção aos ecossistemas da Terra, cujos serviços ambientais são imprescindíveis para o bem-estar da humanidade, hoje e no futuro.
O encontro, que terminou no último sábado, 29 de outubro, atingiu três objetivos interligados: a adoção de um novo plano estratégico de 10 anos que oriente os esforços nacionais e internacionais para salvar a biodiversidade, uma estratégia de mobilização de recursos para aumentar a ajuda oficial em prol da diversidade biológica e um novo protocolo internacional sobre o uso e a distribuição de recursos genéticos.
Conhecida pela sigla em inglês ABS, a repartição justa de benefícios oriundos da diversidade biológica foi a principal reivindicação do Brasil, que detém enormes riquezas genéticas em regiões como a Amazônia. A ideia é que, no futuro, os ganhos com medicamentos e cosméticos derivados de plantas e micro-organismos sejam divididos entre a indústria e o país que abriga esses recursos naturais, medida considera positiva no combate à biopirataria.
Entre as 20 metas do plano estratégico, os países querem tentar reduzir a zero a taxa de perda de habitats naturais, incluindo as florestas. Para isso, acordaram em ampliar de 13% para 17% a cota de proteção da superfície terrestre e de 1% para 10% as áreas marinhas protegidas, até 2020. Os governos ainda prometeram restaurar pelo menos 15% das áreas degradadas do planeta e empreender um esforço especial para reduzir a pressão sobre os recifes de coral.
A próxima Conferência das Partes da Convenção sobre Biodiversidade será realizada na Índia, em 2012.