Ubatuba em Revista

Cientistas divulgam 1º Censo da Vida Marinha

regina2

No final dos anos 90, cientistas marinhos do mundo todo manifestaram o desejo e a necessidade de aprofundar o conhecimento da humanidade sobre a vida nos oceanos. Em 2000, criaram um programa para responder a três questões principais: O que é que viveu nos oceanos? O que é que vive nos oceanos? O que é que irá viver nos oceanos?
Após 10 anos de pesquisas e 540 expedições por todos os mares, os 2700 cientistas participantes do projeto anunciaram, nesta segunda-feira, os resultados do 1º Censo da Vida Marinha.
Distribuído em livros, websites, vídeos, filmes, mapas e bases de dados, num total de 2.600 documentos, o trabalho delineia, pela primeira vez, o oceano desconhecido e ainda revela: a força da diversidade, a amplitude da distribuição e o fim da abundância.

Diversidade
O conhecimento estimado de espécies marinhas passou de 230 mil para cerca de 250 mil. A expansão deveu-se, principalmente, à análise de micróbios oceânicos, que, a despeito do tamanho, produzem metade do oxigênio do planeta.
Foram cerca de 30 milhões de observações, que permitiram as primeiras comparações regionais e globais da diversidade. O Censo só não conseguiu estimar de forma segura o número total de espécies conhecidas e desconhecidas, que poderiam extrapolar a marca de 1 milhão.

Distribuição
O Censo descobriu criaturas vivas em águas congeladas, em locais com luz e oxigênio escassos e até onde o calor é capaz de derreter o chumbo. Com sondas, satélites e aparelhos eletrônicos, muitas vezes transportados pelos próprios animais marinhos, foi possível traçar mapas de rotas migratórias de inúmeras espécies. Nas águas profundas, o Censo descobriu padrões de vida em cumes, montes submarinos, planícies abissais e nas margens dos continentes. Os dados revelam, também, o oceano desconhecido, onde os exploradores ainda não conseguiram chegar.

Abundância
O Censo documentou um decréscimo de quantidades e tamanhos, devido ao excesso de pesca e de destruição de habitats, atividades humanas consideradas as principais ameaças à vida marinha. O fitoplâncton, produtor de alimentos perto da superfície, diminuiu globalmente.  O estudo afirma que 90% da vida marinha é microbiana. Nas margens do mar profundo, foram descobertos tapetes de bactérias e recifes de coral, que se estendem por centenas de quilômetros.

Legados
O Censo construiu o maior repositório de dados sobre espécies marinhas e traçou linhas de base para ajudar as nações e a Convenção Internacional sobre a Diversidade Biológica a selecionar áreas e estratégias para uma maior proteção da vida marinha. Os estudos ajudarão a avaliar as alterações do habitat, provocadas pelo aquecimento da água ou por danos causados por derramamento de petróleo.
Os legados do Censo – as linhas de base do conhecimento, a cascata de novas tecnologias e a colaboração através das fronteiras – prometem mais benefícios para a humanidade e para os oceanos.

You are here