Ubatuba em Revista

Aventura e perigo no Atlântico

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Eles são aves que não voam, mas nadam e mergulham com grande perfeição.  Ao todo são 16 espécies, encontradas somente no hemisfério sul. Uma delas é o pinguim-de-magalhães, que faz a alegria das crianças – e adultos – visitantes do Aquário de Ubatuba.
Natural da Patagônia Argentina e das Ilhas Malvinas, a espécie age ao contrário do famoso pinguim-imperador: foge do rigor do inverno! De junho a setembro, esses pinguins aproveitam as correntes frias e viajam em grupo pelo Atlântico, em busca de alimentos. Costumam ir longe, já tendo sido vistos do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro. Suas visitas ao Brasil não são recentes, tanto que estão registradas até por sambaquis.
“O que tem chamado à atenção este ano é o número de animais mortos”, conta a bióloga Carla Beatriz Barbosa, do Aquário de Ubatuba. Trabalhando com reabilitação de animais marinhos desde 1999, o Aquário recebe chamados, para resgatar pinguins, de São Sebastião a Angra dos Reis. Dos 130 indivíduos registrados até meados de agosto, 100 já estavam sem vida. A causa das mortes ainda está sendo identificada, mas já se sabe que a maioria dos exemplares analisados havia ingerido lixo. “A maior parte é lixo de lazer, como canudinhos e embalagem de chicletes”, revela a bióloga. “Um dos animais fora enforcado por um buquê de fitilho, desses usados em arranjos de flores”, indigna-se.
A aventura pelo oceano esconde ainda mais ameaças, algumas das quais são enfrentadas com singular sabedoria. A cor da ave é uma delas. No mar, orcas, focas e leões marinhos nem sempre distinguem o branco da barriga do pinguim da claridade do céu. E as gaivotas rapineiras costumam confundir o preto das suas costas com a tonalidade escura do mar.
Mas como se defender dos perigos introduzidos pelo homem? Se não bastasse o lixo, muitos animais são encontrados com vestígios de óleo. Proveniente de derramamentos ou da lavagem de tanques de navios, o óleo provoca a colagem das penas, dissolve a camada de gordura responsável pelo isolamento térmico e prejudica a flutuabilidade do animal, que passa a sentir frio e pode morrer de hipotermia, quando ocorre uma diminuição excessiva da temperatura normal do corpo. A ave ainda corre o risco de morrer intoxicada, pois ingere óleo ao limpar a plumagem com o bico.
A limpeza, à base de detergente e água quente, é um dos trabalhos do Centro de Reabilitação do Aquário, desenvolvido em parceria com o Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha. Outra tarefa, bastante dispendiosa, é alimentar os pinguins: cada um consome cerca de 1 kg de peixe por dia! Considerando que, em média, o Aquário recebe de 10 a 15 animais por temporada, pode-se concluir que é grande a quantidade de pescado.
O índice de sobrevivência dos animais reabilitados é de aproximadamente 60%, mas nem todos satisfazem os critérios para a soltura e são obrigados a viver em cativeiro. Daí a decisão do Aquário de investir em um novo pinguinário.
Até março de 2009, o trabalho de reabilitação dos pinguins em Ubatuba era mantido por uma grande empresa. Agora, depende da dedicação e sacrifício da equipe. O Aquário já vendeu um carro para continuar a missão de salvar essas aves, que encantam crianças e adultos com seu andar desengonçado e parecem implorar com seu olhar de vítimas: não sujem mais os nossos mares!

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