Ubatuba em Revista

Que história é essa?

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A história é feita de fatos e da narrativa de quem os conta. Por isso, a chamada “história oficial” nem sempre corresponde à realidade do que ocorreu, mas aos interesses político-econômicos de quem a conta. Na contramão dessa tendência, e com total interesse na fidelidade dos registros, está um ubatubano respeitado pela pesquisa que desenvolve ao longo de décadas: Edson da Silva.
Filho do pescador e vereador Antonio Atanázio da Silva, Edson teve seu interesse despertado ainda criança, ao voltar os olhos para os muitos documentos e fotos que seu pai recebia dos munícipes. A partir desse material, começou a estudar a história de Ubatuba, como quem monta um quebra-cabeça e, ainda na escola, seu conhecimento superava o de seus professores. “Houve ocasiões em que um aluno perguntava algo sobre a história da cidade e o professor respondia: pergunte ao Edson.”
Em meio a tantos registros de seu arquivo, chamam à atenção aqueles que dizem respeito a detalhes da vida do caiçara, como a foto que registra o “peixe do santo” – o maior peixe da rede era levado para ser vendido em frente à igreja matriz e o dinheiro obtido com essa venda era doado ao vigário da época.  Ou ainda, fotos da arquitetura das casas de taipa, das grelhas de madeira para assar peixe, montadas na areia da praia, da primeira viagem de jardineira realizada na cidade, um estudo sobre a presença da “ubá” nos brasões de Ubatuba – o que, para ele, reforça a explicação de que o nome Ubatuba tem o sentido de sítio, local, plantação de ubá – nada tendo a ver com canoas, como também explica uma outra versão: “Ubá é uma planta típica dessa região, uma planta da família da cana. Antes da criação da vila, existiam muitas “ubatubas”, porque essa planta cresce em vários lugares do litoral. Era uma designação indígena para um local onde houvesse essa vegetação. Essa versão que liga o nome da cidade às canoas é fantasiosa.”
Edson é, antes de tudo, um apaixonado por sua atividade: “Para a humanidade se conhecer tem que saber de onde veio, como está e para onde vai. É preciso mostrar como era para ver como está”. Uma das suas gratificações é a emoção de quem visita seu acervo. Algumas vezes pessoas se emocionaram com suas fotos: “Uma vez fui visitado por um morador que não conheceu o pai. Ele veio aqui e me perguntou se eu teria uma foto do pai dele. Mostrei a foto e, só aí, ele pode conhecer a imagem do pai. Foi muito emocionante para ele. Para mim também, pela possibilidade de proporcionar esse momento.”
Quando perguntado sobre o momento atual da história de nossa cidade, Edson se queixa da perda da identidade cultural que havia por aqui – consequência inevitável da vinda de muitos migrantes – e responde mostrando uma frase, de sua autoria, que faz parte da sua exposição itinerante: “Com poucos vestígios de seu passado histórico, Ubatuba é hoje o retrato de uma cidade submissa às influências externas. No decorrer de seu crescimento, a fisionomia urbana da cidade foi se moldando às aspirações do “progresso”, que não admitiam a presença de “coisas velhas e antigas”, compreendidas erroneamente como imagens da decadência. Desprezando sua própria história e fases de apogeu econômico, a cidade, no entender de muitos, perdeu sua personalidade, mesclando-se de tendências e padrões estéticos importados de centros urbanos maiores”.
Frase certeira que reflete a dinâmica dos movimentos históricos de uma cidade. Afinal, a história é viva.

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