O recém-nascido bezerro fitava a promessa do Velho Cipriano. Ratambufe era um boizinho quase que inteiramente branco. Cipriano era um tropeiro do Bairro Alto de São Luiz do Paraitinga, que comercializava em Ubatuba. Descia e subia a serra semanalmente, trazendo e levando mercadorias.
Ratambufe foi crescendo e ouvindo as promessas de seu dono que iria lhe mostrar o mar. O que seria o mar? O que seriam as gaivotas, as conchas, os peixes, os guaruçás, que Cipriano sempre falava? Ratambufe cresceu ouvindo falar do mar.
“É amanhã, Ratambufe! Amanhã você vai conhecer o mar!”
Mas essa história de mar era conversa pra boi dormir. Cipriano, como bom comerciante que era, levaria o boi para o matadouro. E, ao final, o boi teria seu fim em um abate.
A descida da serra foi tranquila, por entre grutas e cachoeiras, sob as sombras de brecuíbas e manacás, ao som de arapongas e tangarás. O animal, fascinado e ansioso, fazia a tropa acelerar os passos.
Ao chegar em Ubatuba, o boi que iria para o matadouro foi direto para a praia. Chegando perto do mar, ficou contemplando o horizonte. Parecia que estava ouvindo um som, algum canto diferente. Foi então que o boi caminhou e entrou no mar. E o que se sabe, é que nunca mais apareceu.
Dizia Cipriano que foi efeito da maresia; já os pescadores diziam que era o canto das sereias.
A Lenda do “BOI DE CONCHAS”
- Sáb, 21 de Agosto de 2010 14:23
- Julinho Mendes