Este metódico cidadão do mundo tem uma história fascinante. Com os pais trabalhando no Brasil, quis o destino que ele nascesse na cidade mineira de Coronel Fabriciano, distante 200 km da capital mineira, Belo Horizonte. Com apenas dois anos de idade voltou para a Itália onde cresceu e viveu suas raízes européias e com elas os sonhos. Aventurou-se por caminhos tão libertários quanto idealistas, apaixonado que é pela arte e cultura, conhecendo povos e culturas as mais diversas possíveis.
O inesperado sempre fez parte da vida de Colacchio e é isto que motiva sua inquieta forma de descobrir e experimentar, como na culinária por exemplo. Além do teatro, a gastronomia representa em sua vida a possibilidade perfeita da experimentação. E foi como gourmet que ele nos recebeu em sua residência, junto à esposa Margherita Vila e a filha, Michelle Vila.
Ubatuba em Revista
Quando você chegou ao Brasil, Vittorio?
Vittorio Colacchio
Em 2002, depois de ter morado 3 anos na Argentina, em busca de algo, talvez da enorme energia artística do povo brasileiro.
E por que optou morar em Ubatuba?
Pela espantosa natureza do lugar; o encontro entre a encantadora serra verde e o inspirador mar azul.
Conte um pouco de seu trabalho e de sua trajetoria de vida.
A verdade é que não saberia o que responder. Sou químico industrial e já trabalhei 10 anos em pesquisa farmacêutica. Estudei dramaturgia e direção teatral em Milão, com Renzo Casali. A partir do ano 1998 dediquei-me à pesquisa teatral em todas suas formas. O que verdadeiramente gosto de fazer é experimentar... trabalhos, atividades. Assim, já ordenhei vacas, fui marceneiro, eletricista, escritor, pedreiro, cenógrafo, músico, ator, diretor, chefe de cozinha... e muito mais. Atualmente gosto de estudar a arte cinematográfica em todos os seus aspectos, desde a gravação até a edição de vídeos.
Quais seu trabalhos realizados ou publicados?
Tenho um livro publicado: “Mollia Piode”. Também dirigi em Ubatuba as peças teatrais: “A mascara da Morte Rubra”, “Gilda” e ”Sancho e Quischi”
Todos que lhe conhece afirmam com exatidão que seu senso culinário é apuradíssimo. De onde vem esta aptidão para gourmet. Isto reflete a influência italiana das boas mesas?
Em primeiro lugar o prazer da boa alimentação vem de minha mãe e da observação do trabalho dela na cozinha. Em segundo pelo trabalho como químico... que afinal é a mesma coisa que o trabalho na cozinha: inventar, experimentar, misturar, cozinhar. Depois devido à necessidade de viver sozinho desde muito cedo e por último... mas não em último lugar, pelo amor de criar coisas que os outros gostem e pelo prazer de ver nos olhos dos convidados o prazer pela comida preparada.
Conhecedor da cultura caiçara, o que você mesclaria desta cozinha com a culinária italiana?
O meu lado italiano é fanático por massa, por essa razão foi muito lindo descobrir todos os ingredientes caiçaras e mais em geral brasileiros e utilizá-los para criação de molhos diferentes. Afinal contaminação entre culturas diferentes não é uma peculiaridade positiva só no âmbito teatral.
Você poderia deixar para os nossos leitores uma receita italiana?
Claro! Vou sugerir um prato que eu gosto muito e é bem simples: Nhoque al gorgonzola. Aqui vou colocar os ingredientes para 4 a 5 pessoas e nele vou trabalhar um molho, no qual o creme de leite muito usado na culinária italiana é substituído por leite de côco junto com outros ingredientes tropicais.
Nhoque al gorgonzola
- 1000g de nhoque
- 200g de gorgonzola
- 1 confecção de creme de leite
- 3-4 colher de sopa de leite
Preparo:
Derreter o gorgonzola numa panela em fogo muito baixo. Juntar o creme de leite e amassar bem e por fim o leite. Manter aquecido sem ferver.
Cozinhar os nhoques em água fervente. Usar uma espumadeira para transferir os nhoques na panela com o molho à medida que ficarem boiando na água.
Comer quente.
Para a massa:
- 500g de massa de trigo duro (melhor um tipo curto, tipo pene ou borboletas)
- 5 lt de água
- Um punhado de sal
Para o molho:
- 5 tomates bem maduros
- Uma toque de azeite extra virgem
- 1 cebola media
- 1 abobrinha itália pequena
- 1 lata de ervilhas
- 500g de camarões pequenos limpos
- 1 garrafinha de leite de coco
- Pimenta do reino a gosto
Preparo:
Triturar a cebola bem fininha e colocá-la numa frigideira grande com o azeite. Refogar em fogo médio até ficar transparente.
Cortar em fatias os tomates sem pele e sem sementes e a abobrinha. Colocar tudo na frigideira e cozinhar até os tomates derreterem e a abobrinha ficar macia. Escorrer as ervilhas e colocar na frigideira. Cozinhar mais alguns minutos. Juntar o leite de coco e ferver por mais alguns minuto. Colocar sal e pimenta do reino para condimentar. Juntar os camarões limpos e cozinhar brevemente.
Cozinhar a massa na água fervente com o sal. Escorrer quando estiver ao dente. Juntar a massa ao molho e refogar na frigideira por mais o menos um minuto para que o molho se incorpore à massa. Caso o molho fique ressecado demais, pode juntar algumas colheres de sopa da água usada para cozinhar a massa.
Comer bem quente.
Entrevista com Vittorio Colacchio!
- Ter, 17 de Agosto de 2010 17:26
- Paulo Sézio