Ubatuba em Revista

Tucanos da nossa praia

Tinha lá meus 13, 14 anos. Olhando da gaiola seu olhar parecia de indignação, procurando espaço para voar. Jurei que iria vê-los ao vivo, em cores e em liberdade.
Em 1980, já morando em Ubatuba, estava caminhado sozinho pelo mato, quando o sol começou a assombrar alguma coisa voando sobre mim. Procurei no meio dos galhos altos e lá estava um bando de tucanos; contei mais de cinquenta. Apesar de caminhar sozinho e em silêncio eles haviam percebido a minha presença e, sorrateiros, de galho em galho, já batiam em retirada. Eram tucanos-do-bico-verde.
Temos em Ubatuba sete espécies da família dos ranfastídeos, que inclui as saripocas (tamanho pequeno até 35 cm) os araçaris (até 43 cm) e os tucanos, cujo maior é justamente o tucano-toco, que chega a medir 56 cm.
Depois que a gente se acostuma a identificar a barulhada que eles fazem, é fácil de encontrar a tucanada no meio do mato. Eles são metódicos, com horários e roteiros repetidos todos os dias. Pela manhã, quando descem da mata fechada em busca de alimentos, e no final do dia, quando retornam para dormir em local seguro.
O tipo de bico sempre determina o tipo de alimento. O bico do pardal é apropriado para sementes, o bico das saíras próprio para frutas, dos gaviões para as suas presas. O tucano é bom de bico. Nada seletivo, se alimenta de frutas, algumas sementes, insetos, lagartos, ovos ou filhotes de outras aves.
Os tucanos fazem seus ninhos nos tocos das árvores e seus filhotes já nascem bicudos. Só depois é que o corpo vai crescendo para equilibrar (mais ou menos) a relação dos tamanhos, tanto que isso determina o tipo do vôo dos tucanos, sempre batendo as asas para percorrer pequenas distâncias.
You are here