Mas sua história recente como núcleo urbano começou em 1957 com Leon Sisla e mantida com idealismo por Olga Sisla e diversos moradores que se mudaram para lá embuídos de um único propósito: uso sustentável!
A pouco tempo fomos na casa de Márcia Sisla, neta de Dona Olga e Sr. León para ouvir uma das muitas histórias do lugar e com certeza as páginas desta revista seriam poucas para descrever a saga desta família que veio da antiga União Soviética, nas regiões de hoje Rússia e Lituânia. Fugindo da Segunda Guerra Mundial vieram parar no Brasil, contribuiram com o conhecimento de engenharia urbana e viária em diversas obras de abragência
nacioanal, escolhendo por fim Ubatuba para ser a residência familiar. Instalados aqui, regularizaram as terras e começou a criar uma dinâmica própria para o lugar, concentrando na preservação ambiental. Antes um lugar de difícil acesso - somente por trilha e barco, lentamente os Sislas criaram no fim da década de 60 um núcleo habitacional, ainda revolucionário para os padrões, como cercas vivas no lugar de muros e a obrigatoriedade de plantio de mudas nativas em áreas de preservação, pré-definidas. Além disto, a preservação da orla gerou um ambiente de incomparável beleza e águas límpidas.
Visitar a Praia Vermelha do Sul no inverno é um charme só. Pouco frequentada nestes dias, ele reserva ao visitante a agradabilidade do silêncio. O melhor mesmo é juntar os amigos e caminhar por ali. Reiventar a arte de brincar, reviver como os bons tempos de criança também podem estar na ordem do dia. Ali tudo é simplesmente gostoso de se fazer.
O ocaso reuniu num dia desses, uma turma de primeira no cenário cultural da cidade para experimentar este mágico lugar. Para a antiga residência dos Sislas foram: Valdecy Santos - maestro da Banda Lira Padre Anchieta, os diretores de teatro Marilena Cabral e Vittorio Colacchio e o design gráfico Frederico Candeias com mais 8 outros atores, fotógrafos e estudantes de música. A presença dos pássaros é algo inimaginável. De tucanos a saíras, passando por tiês sangue e dezenas de outras espécies o desfile da natureza é um esbanjamento só. Algo que cala a voz e brilha o olhar. A caminhada pela praia revelaria a criança adormecida em cada um e ali, embalado pelo espirito esportivo foi criado oficialmente o 1º Campeonanto de Abricós, por esta turma listada acima, tendo o próprio maestro o direito de definir as primeiras regras. É a casualidade que se transforma em divertimento, no que o bom caiçara diz ser a naturezoterapia à disposição em cada canto desta cidade.
Olhando à volta imaginamos o que se passava pela cabeça de D. Olga Sisla, pensando no futuro e nas gerações por vir. Em cada uma das 20 mil mudas plantadas ali, um gesto de gratidão para natureza que tão bem retribui o que de melhor pudermos fazer. Sabemos perfeitamente que por onde o ser humano passa há impactos. Não sejamos ingênuos em acreditar na perfeição, mas a melhor lição disto tudo é que a tentativa de melhorar é mil vezes melhor que a omissão.
Se quiser conhecer este lugar especial, siga do centro da cidade para as praias do sul e depois de 20 Km você verá um acesso à esquerda. Ali por uma via asfaltada, serão mais 7 Km e com razoável sinalização, além de guaritas que podem lhe informar sobre o local. Leve lanches, máquina fotográfica, um chapéu, filtro solar e a vontade de descobrir um pedacinho a mais de Ubatuba. Nós da Ubatuba em Revista estaremos esperando suas impressões e outras dicas. Abraços e até a próxima.
Descobrindo Ubatuba _ Vermelha do Sul - Uma jóia com histórias do outro lado do mundo.
- Sex, 25 de Junho de 2010 18:16
- Paulo Sézio