Ubatuba em Revista

A fome oculta da razão

No mesmo rítmo da fome oculta física, está instalada, no mundo moderno, uma espécie de fome oculta intelectual. É fácil constatarmos a expressiva quantidade de pessoas que têm dificuldade em apreender o conteúdo daquilo que lêem. O exercíco da leitura, como meio de comunicação de idéias fica, ano a ano mais escasso. Identificar palavras, lê-las sequencialmente ou, até, sonorizá-las a um ouvinte não é problema para a maioria das pessoas; o mercado editorial cresce, muitos livros são vendidos, panfletos, revistas, jornais e, principalmente, páginas iniciais de sites informativos, na internet, são lidos diariamente.
Mas, quanto desse material decodificado pelos olhos é comprendido pela mente? Com que frequência alunos dos mais distintos estágios do prendizado escolar são capazes de correr os olhos sobre todas as palavras de uma folha – e identificá-las como tal – sem perceber o que possam estar comunicando!
O problema não tão é recente. Há 14 anos, quando dava aulas de intepretação para alunos do curso de radialistas, numa renomada instituição de porte nacional, era comum os alunos lerem, com dicção satisfatória, clareza sonora e boa projeção do volume de voz, páginas e páginas de notícias a serem comunicadas aos ouvintes. Quando eram questionado sobre o conteúdo do que haviam lido, o embaraço era geral. Cheguei a ouvir de uma aluna: “Ah, eu sou boa de ler. De entender, aí eu já não sou boa.” Ora, como é possível um comunicador ser claro se, sequer, compreendeu o que precisa comunicar?
Tudo isso, sem entrarmos, ainda, no mérito do senso crítico sobre o que lemos. Aí, já é pedirmos demais. Vamos por partes...
Há uma espécie de fome oculta intelectual, como se deglutíssemos uma bela foto de um prato de comida. Estamos comemos celulose, tintas e verniz, nada que venha a nutrir, a preencher, verdadeiramente, nossas necessidades.    
Fica aqui a sugestão para o leitor deste artigo: ajude as crianças próximas a você, a exercitarem a compreensão do que lêem, para não serem logradas, mais tarde, por idéias escondidas nas entrelinhas de fáceis palavras.
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