Nós quatro acreditamos que deveríamos continuar juntos e formamos então o Rodamundo. O George (Domingos, percussionista), que já era parceiro em outros momentos, veio se tornar efetivo do grupo naturalmente, algum tempo depois ”, conta Rafael, relembrando o início de tudo.
O Rodamundo é um quinteto que une músicos com gostos distintos e ecléticos, em constante transformação. Rodrigo, baixista ousado e livre, e Rafael, baterista técnico e preciso, tocavam num grupo expressivo de ska-rock de São Paulo, hoje eles exploram muito mais o groove brasileiro e pesquisam muita coisa que rola na música atual, no cenário independente. George Domingos está na música a um bom tempo e tem uma percussão forte, com bastante marcação, que influencia na música diretamente. Felipe, que gosta de muita música brasileira, é um guitarrista de formação no blues e a muito tempo vem estudando outras linhas, principalmente com riquezas harmônicas, “uso bastante efeito, que dá uma modernidade, e sempre faço tudo buscando o improviso”. Karina Kaufmann é a voz e o gás da banda. Com uma presença de palco brilhante, tem a arte no coração, encontra com facilidade as linhas melódicas das harmonias que o grupo cria e passa tudo ao público, com emoção e energia.
A música do Rodamundo “é fácil de gostar e difícil de classificar”, como definiu bem o jornalista do site Overmundo, Marcelo Cabral. Todos tem bastante liberdade para colocar suas intenções e opiniões nas músicas e nas letras (sensações sobre o mundo, o cotidiano, a vida), que podem surgir inicialmente a partir de parcerias dentro do grupo ou coletivamente durante os ensaios. “É a junção e a mistura das influências, sensações, experiências e vivências de cada um de nós que dá a cara ao Rodamundo”, diz Rafael.
Toda essa originalidade resultou no primeiro lugar obtido no Festival Mente Aberta de Música Brasileira, promovido pela Trama Virtual e pela Revista Época, em outubro de 2007. A banda ainda não tinha dois anos quando foi pré-selecionada
por um júri composto por grandes nomes do cenário musical brasileiro (Tom Zé, João Marcello Bôscoli, Lúcio Maia – guitarrista da Nação Zumbi, Carlos Eduardo Miranda – produtor musical, Luis Antônio Giron – editor de cultura da revista Época, entre outros), e passou por três eliminatórias através de voto popular. Como premiação, o Rodamundo gravou um CD, nos Estúdios Trama, com cinco músicas. O CD foi gravado por Rodrigo Sanches, principal engenheiro de som da Trama, e produzido por Ricardo Zohyo, fundador do trio Curupira e que já trabalhou com Hermeto Paschoal, Natan Marques, Renato Teixeira. “O festival acabou sendo meio que um marco na história da banda, pois a gente já vinha criando nossas músicas há um tempo e faltava um bom registro”, diz Rafa. “A gravação do CD veio com o reconhecimento de nomes experientes da música e com o apoio gigante do público. Para nós foi a certeza de que tínhamos que trabalhar muito e nos mostrar ao mundo”, complementa Felipe.
Os discos não estão servindo só para divulgar com qualidade o som do Rodamundo, mas também para colaborar na arrecadação de fundos no projeto Viva o Centro, que viabiliza recursos para a revitalização da região central de São Paulo.
“Sentimos que o nosso compromisso é fazer algo, colocando em prática, de alguma forma, o que as letras dizem, o que sentimos em relação ao mundo. Queremos ajudar em vários pontos e resolvemos começar pela nossa casa, nossa cidade”, explica Felipe.
O Rodamundo estreou no palco do Centro Cultural São Paulo em meados de 2008 e fez uma série de shows pelo interior de São Paulo, tocando nos SESI’s. Em 2009 vieram shows importantes em SESC’s, feiras culturais na Capital, Fnac Pinheiros, Fnac Paulista e Saraiva (três livrarias de peso na capital paulistana), além de ter tocado no Festival de Inverno de Campos do Jordão, no estande da Oi. Em março de 2010 a banda se apresentou dentro da Estação Sé do Metrô, no clássico horário de pico, as 18hs. Ao falar sobre esse show, Rafael conta que “foi realmente uma experiência especial, por estarmos ali levando nossa música para uma gama tão vasta e diversa de pessoas, e vermos e sentirmos a reação sincera das pessoas ao novo... Foi demais!”. Entre abril e maio fez turnê por quatro estados do Nordeste e participou da Virada Cultural em São Paulo. “Agora estaremos em Ubatuba, cheios de gás e com duas composições recém saídas do forno”, declara o entusiasmo de Felipe.
E, falando sobre o show em Ubatuba, os meninos do Rodamundo nos contam que “todos nós já passamos ótimos momentos por aí, uma das regiões mais bonitas de nosso país. E a vontade de apresentar nossa música onde quer que passemos, faz com que a gente fique procurando saber onde e como está acontecendo a música em cada canto. Com Ubatuba não foi diferente, sempre houve a vontade em encontrar um espaço bacana pra levar nosso som, aí descobrimos o pessoal do Coletivo Arte, com um espaço ótimo e aberto a trabalhos novos e autorais, o que as vezes é bem difícil de se encontrar. Casou exatamente com o que procurávamos. Já estivemos na Sala assistindo espetáculos e o público se mostrou bem receptivo. Estamos preparando algo especial para apresentar na noite do dia 05 e estamos na expectativa de que seja um ótimo show!”.
Rafael e Felipe finalizam falando sobre os projetos futuros. “Já temos bastante material novo e pretendemos em breve entrar em estúdio para gravarmos o próximo álbum. Iniciamos o processo de escolha e pré-produção das músicas. No momento estamos captando parcerias para viabilizar isso tudo. Enquanto isso, estamos preparando o lançamento via internet do single Samba de Fé, que gravamos de forma independente. É uma música especial, que tem sido um dos pontos altos dos últimos shows. Certamente ela estará no repertório para Ubatuba”.
Agora, é só aguardar para ver e ouvir o som do Rodamundo!

