A curiosidade parece ser uma prática saudável que estimula seus sentidos e por isso em nossa busca sobre detalhes do turista japonês, a primeira questão é saber se ele gosta de viajar para a América do Sul, pois já é sabido que sua preferência esta essencialmente focada nos elementos culturais da Europa e Estados Unidos.
Embora os demais países estejam lentamente sendo descobertos, é necessário que cada um a seu modo conquiste a preferência destes viajantes do outro lado do mundo, justamente pelas suas peculiaridades. Compreender alguns conceitos pouco usuais em alguns destinos, como: qualidade, ética, respeito, organização é bom começo. Na verdade muita organização é sucesso garantido.
Aquela famosa frase: “maquiar um destino para inglês ver”, o que, aliás, é uma fábula, já que também este é muito exigente, não se aplica ao turista japonês. Ele é simples, mas meticuloso. Ele é curioso, mas acima de tudo comedido. Não dá um passo sem que seja necessário, não se sente atraído por qualquer coisa que escape ao bom senso da percepção ou que lhe venha acrescentar algo. Salvo exceções, este é um padrão de comportamento secular de um povo que aprende a cada dia se auto-superar em tudo, usando a disciplina como um eixo básico de sua conduta.
Para nossa felicidade, uma rápida passada na história revela que gosta sim da América do Sul e principalmente do Brasil - pais que os recebe há 103 anos. Hoje, com colônias espalhadas em diversos estados brasileiros o povo do País do Sol Nascente é um dos grandes responsáveis pela expansão da economia brasileira. Seja na agricultura, siderurgia, biologia ou nos campos mais avançados, com tecnologias de ponta: robótica, biotecnologia e pesquisa atômica, os japoneses já fazem parte do cotidiano brasileiro.
Em 2007 a então Ministra do Turismo Marta Suplicy foi a visita ao Japão, visando estreitar os laços de amizade e divulgar a comemoração do Centenário da Imigração Japonesa ao Brasil. De olho neste destino emissor, o Governo brasileiro apostou US$ 800 mil para promover a imagem do Brasil no mercado japonês, focando principalmente na alegria de seu povo, na música, futebol e belezas naturais. Para Suplicy “esse encontro foi importante para que, durante o Centenário, nós pudéssemos ter uma participação mais efetiva de troca de turistas”. E de fato isto aconteceu. E não existe fenômeno melhor para explicar esta resposta japonesa do que uma palavra: ‘kansha’ - gratidão. A percepção de um povo acostumado a entender sua própria história, não se revela apenas no Japão das tradições milenares e do avanço tecnológico, mas das terras que receberam bem seus filhos e por lá criaram raízes e novas tradições.
O Brasil recebeu em 2007 cerca de 80 mil visitantes, vindos principalmente da China, Coréia do Sul, Hong Kong e Japão. Em 2008 os japoneses mudaram esta estatística, contribuindo sozinhos com mais de 80 mil turistas desembarcando por aqui, segundo os dados do Anuário Estático de Turismo de 2008. Em números exatos, foram 81.270 turistas - número bastante expressivo que, somados aos outros 185 270 vindos de outros países da Ásia, triplicaram a emissão em apenas um ano.
Um detalhamento ainda mais apurado revela que em 2008 pelo menos 61.398 turistas japoneses desembarcaram em São Paulo. Mesmo com os efeitos da crise financeira que derrubou os números turísticos em escala global, chegaram por aqui no ano de 2009, 74% deste contingente e com bastante espaço para crescimento.
Durante as comemorações do Centenário da Migração Japonesa no Brasil e relacionando pesquisas indicativas de 2007 a então Ministra do Turismo Marta Suplicy revelara que: "existe um potencial de mais de 900 mil japoneses que gostariam de visitar o país". Já a presidente da Embratur - Jeanine Pires destacara que além das principais cidades já visitadas pelos japoneses a saber: Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro e Manaus, o foco principal seria para o ecoturismo e para a cultura brasileira".
Na outra ponta desta história está a sempre comentada capacidade do Brasil em ser um bom receptivo internacional. E esta história é velha. Tudo bem que o amadurecimento turístico brasileiro tenha começado a dar seus primeiros passos nesta década, mas falta “um bom chão” pela frente. A alta concentração em determinados destinos turísticos ainda persiste como se fosse um ideologia decretada por lei. Isto além de contribuir para a rápida saturação, impede que outros destinos possam ser trabalhados em malhas de planejamento de fluxos radiais, a exemplo do acontece na Nova Zelândia.
Para o pesquisador Teiji Sakurai, autor do relatório "Como Atrair Turistas Estrangeiros ao Brasil" - Jetro - 2004, a questão estaria na ineficiência do planejamento do Governo brasileiro quanto ao turismo para atrair os turistas estrangeiros. Os esforços empreendidos por países como Hungria e Polônia e destinos como Hong Kong para aumentar o número de visitantes estrangeiros são analisados pelo pesquisador que aponta algumas reflexões bastante interessantes.
Observando que as experiências oferecidas respondem diretamente para o sucesso dos destinos, ele as classifica numa pequena tabela e depois de analisadas auxiliam na aprovação de um destino turístico.
São elas:
1- Ver: A natureza, os tesouros culturais.
2- Apreciar: Ópera, teatro, música ( sinfonia, jazz, rock, etc), museus, futebol, assistir aos eventos esportivos.
3- Degustar: Cozinha regional, pratos típicos.
4- Comprar : Lembranças, produtos artesanais, produtos de marca, etc.
5- Experienciar, tocar, participar: Eco-turismo, turismo agrícola, outras atividades com o intercâmbio com outras pessoas, hospitalidade.
6- Repousar, descansar: Areais brancas, o verde da natureza, o céu azul e o mar, o sol e a praia tropical.
Para Sakurai se um destino tem boa pontuação nesta tabela, o principal para atrair bons turistas já está feito. A promoção do mesmo poderia ampliar sua chance de sucesso, mas é ai que reside uma grande característica: como atrair o turísta. É que cada povo, cada cultura, cada país tem lá suas peculiaridades e o ambiente de marketing de um destino não poderia levar em conta somente suas potencialidades, mas e principalmente as daqueles a quem gostaríamos de ter como visitantes ilustres.
Especificamente no caso do turista japonês ele dás as dicas. Primeiramente deve-se atentar que o padrão de seu consumo é bem alto e exigente - e isto é uma regra sempre e não um detalhe. Depois entender que o Japão tende a ser uma sociedade com predominância da terceira idade. Em 10 anos será o primeiro país a ter o maior número de idosos. Diferente de outros países, as características do idoso no Japão é a de pessoa saudável, com dinheiro, com tempo e curiosidade.
Por fim, se todos os anos cerca de 17 milhões de japoneses viajam para o exterior, no futuro próximo a afluência destas pessoas nas regiões desconhecidas será natural, como nos países da América Central e do Sul que possuem grandes recursos naturais para o turismo.
A promissora relação do Brasil com o Japão ajuda o país a promover os destinos brasileiros no mercado nipônico. Seminários como “Atração de Investimento do Japão para o Setor de Turismo no Brasil”, realizado no auditório da JBIC - Japan Bank for International Cooperation -, em Chiyoda - Tokyo, fazem parte da estratégia brasileira que aposta numa visão mais ampliada. Juntos, representantes da Embratur, da Embaixada Brasileira no Japão e do Escritório de Turismo do Mercosul no Japão definem conjuntamente ações que o Ministério do Turismo pretende desenvolver em solo japonês, além de encontros com representantes da Jica (Japan International Cooperation Agency) e Keidanren, além de visita à feira da Jata (Japan Association of Travel Agents) no Big Sight.
Empresários brasileiros e japoneses também estão empenhados ampliar o comércio bilateral entre os dois países. Nesta semana, nos 17 e 18 de maio, acontece a 13ª Reunião do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, em Tóquio, promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e por sua congênere japonesa, o Keidanren. A partir da cooperação povos e culturas sem encontram num mundo de descobertas. Cabe a quem os recebe se adequar às necessidades e desfrutar da alegre convivência. Ubatuba neste sentido está no caminho certo. Ampliar suas qualidades para o foco receptivo para a melhor idade e o ecoturismo, poderá significar uma injeção a mais de negócios, principalmente na fase sazonal turística.
Aos amigos japones: ‘kansha’