Cortou-me o coração em ver o outro passarinho em sua fala melancólica chamando sua parceira. Não adiantava mais, aquele casal de passarinho estava separado para sempre. Ela voou, certamente pro reino do céu. Ele, viúvo, ficará só pro resto da vida, pois a natureza assim determinou: ser fiel e ter um amor só na vida.
Nós caiçaras conhecemos esse passarinho pelo nome de alma-de-gato, vive no estrado médio da mata Atlântica, em capoeira, beira de rio. Seu falar, ao chamar seu parceiro ou ao se assustar, é um triqui-tririqui-triqui-triqui-tririqui-tririqui sem eco, seco. Ao alvorecer e anoitecer já fala diferente, é um miado que ecoa longe, bem expandido e sonoro. Talvez aí a razão do nome “alma-de-gato”.
Muitos foram e serão os passarinhos, os gambás, as cotias, as pacas, besouros, borboletas... e caiçaras, vitimas dessa rodovia, que como pelotada, estraçalhou o corpo da nossa magnífica mata Atlântica.
Alma-de-gato
- Dom, 23 de Maio de 2010 02:00
- Julinho Mendes