Certa vez, em tom irônico, eu disse a uma argentina: “Por que vocês são tão chatos?” e a resposta me veio prontamente: “Não somos chatos. Somos exigentes. Em meu país, se a lei diz que uma cidade deve ter dois hospitais, enquanto o segundo não for construído, fazemos panelaço, brigamos contra o governo e exigimos nossos direitos, até que a construção se cumpra. Aqui, vocês não tomam atitude alguma, com relação ao que deveria ser feito e não é.” Calei minha boca diante da lição.
Em outros países, essa postura de exigências também é muito comum, haja vista a funcionalidade do Canadá, da Alemanha, da França e da Inglaterra, por exemplo.
Uma coisa que deveríamos praticar com mais freqüência é o uso do “por que?”. Quantas vezes nos deparamos com situações nas quais estamos sendo mal atendidos numa repartição pública, num restaurante ou loja de qualquer natureza e, simplesmente, nos calamos e aceitamos o mau atendimento? Se, a cada negativa incoerente ou descabida que recebermos, respondermos com “por ques?” - vários, até que se chegue às raízes dos problemas, estaremos estimulando um movimento de melhoria social.
Melhora, também, individual, já que essa pergunta vale, principalmente para cada um de nós tomarmos consciência de nossas posturas e atitudes frente aos outros.
Curiosamente, em nossa cultura, esse tipo de postura, comumente é tida como algo antipático e agressivo, como se estivéssemos desrespeitando a pessoa questionada. Ora, isso não é uma inversão de valores? Então sou mal atendido e, quando questiono isso, eu é que sou o infrator? E aquele que insiste e persiste na postura de mal atender, não desrespeitou primeiro?
Deixemos de melindres infantis e vamos amadurecer nossas condutas. Patch Adams, o famoso médico palhaço, que mostrou ao mundo que é possível quebrar paradigmas, coloca claramente a seguinte idéia: quem presencia um ato de violação dos direitos e se cala, naquele momento, de alguma forma, está morrendo. Vamos nos dedicar a viver. Viver de forma dinâmica, correta e generosa, sem que isso implique em passividade.
A importância “por que?”
- Sex, 09 de Abril de 2010 12:58
- Heyttor Barsalini