É claro que todos se colocaram solidários a Isabela e sua mãe e, obviamente, os culpados, seguindo as leis vigentes, mereciam a punição que lhes foi imposta. Envolvemo-nos com o caso, tomamos partido da vítima, acompanhamos os momentos detalhadamente expostos pela imprensa, choramos pela desgraça que se abateu sobre a inocente criança.
Mas ter visto aquele amontoado de pessoas bradando contra os réus, estourando fogos de artifício e comemorando festivamente a condenação, nos leva a pensar: não seria mais apropriado, respeitando o trauma profundo pelo qual passa toda essa família (a mãe, avós, os outros filhos do casal, as pessoas mais próximas à convivência deles), ao invés de comemorar, simplesmente reconhecer a eficácia da condenação?
A empolgação dos populares nos remete a épocas antigas em que a massa comemorava, com um sórdido e mórbido prazer, leões devorando pessoas no Coliseu, ou execuções públicas dos condenados à forca, à guilhotina, à crucificação. Era como se quisessem matar quem matou, fazendo valer a histórica lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.
Obviamente, esse tipo de sentimento é cabível e compreensível aos familiares da menina. Mas às pessoas que acompanharam o caso pela mídia? Às velhinhas solitárias e mexeriqueiras que têm sede de sangue jorrado em público? Aos oportunistas que se aproveitaram do aglomerado para aparecer na TV e jornais?
Onde está o respeito à dor? Que espécie de espécie é a espécie humana?
Que espécie de espécie é a espécie humana?
- Sáb, 03 de Abril de 2010 21:21
- Heyttor Barsalini