Aos 78 anos, compara o estilo de vida de sua juventude ao de hoje: “Hoje, há muito mais necessidade de ganho urgente. As pessoas não têm mais horta, pomar, galinheiro em casa. Antes todo mundo tinha e isso ajudava a gastar menos.”
Tem preferência por retratar assuntos folclóricos, festas populares e religiosas, danças regionais, colocando a figura humana, sempre, em primeiro plano. Aqui em Ubatuba, aonde chegou em 1967 (com uma muda de roupa e o livro As Confissões de Frei Abóbora – José Mauro de Vasconcelos), esculpe inspirado no caiçara: “desde o pescador de vara, o bananeiro e, na maioria das vezes, as pessoas envolvidas com o mar.”
Da Motta já foi considerado por especialistas nas artes, como um escultor neo-acadêmico e neo- impressionista. Totalmente autodidata, mantém uma constante pesquisa das obras de grandes pintores e escultores, como Michelangelo, Aleijadinho e Da Vinci. “Criei minha própria arte, que não está alicerçada em nenhum grande mestre, mesmo tendo influências deles.”
Além do entalhe, o artista aplica tintas sobre a madeira: “Pinto porque dá alegria visual. Além do registro, a cor é o que enfeita.”
Tão interessante quanto assistir a esse artista trabalhando ou ver pronta uma obra de sua autoria é ter um momento de prosa com ele. Tranquilamente a conversa flui, e temos a sensação de que o relógio parou. Essa serenidade está nas obras e na vida: “A vida é um negócio muito importante que a sociedade humana atual, esqueceu de viver. A vida é um eterno agora”.
Da motta
- Sáb, 20 de Março de 2010 19:46
- Heyttor Barsalini