Integrou o grupo dos Modernistas que pregavam e exercitavam a importância da valorização do “produto” nacional, através do que ficou conhecido como Movimento Antropofágico, amplamente difundido na famosa Semana de Arte Moderna (1922).
Em 1919, visitou Minas Gerais, descobrindo então as obras do Aleijadinho e tornando-se o primeiro intelectual brasileiro a reconhecer o barroco nacional como arte digna de ser admirada. Provavelmente, se não tivesse tido esse contato e conseguido oficializar a importância de sua preservação, toda a obra de Aleijadinho estive perdida, sob a fome incessante dos cupins.
O mesmo trabalho que realizou em Minas, estendeu para São Paulo, visitando, como funcionário do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) , pequenas cidades, fazendas, vilarejos, em busca de obras de arte ou arquitetônicas que merecessem ser tombadas pelo Patrimônio. Comumente comprava, com os poucos recursos próprios, esculturas sacras, somente para preservá-las, para que não fossem destruídas pelo tempo.
Em 1927 partiu para as o que denominou de “viagens etnográficas”, pelo rio Amazonas até o Peru e pelo rio Madeira até a Bolívia. Foi também até a Ilha de Marajó. Essa viagem resultou num diário, que reproduziu no livro “O Turista Aprendiz”.
Não só na literatura e nas Artes Plásticas teve sua importância, mas na Música Popular, reunindo canções folclóricas dos locais por onde passou. Nas palavras de Paulo Duarte: “Mário de Andrade incrementou a pesquisa folclórica e etnográfica, valorizando as culturas populares, no pressuposto de que todos os níveis são dignos e que a ocorrência deles é função da dinâmica das sociedades. Ele entendia a princípio que as criações populares eram fonte das eruditas, e que de modo geral a arte vinha do povo.”
Mário de Andrade, mais que um poeta e escritor, precisa ser lembrado e valorizado como um incessante preservador da Arte Brasileira dos século 20.

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