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06 Março 2010
Em 1919, visitou Minas Gerais, descobrindo então as obras do Aleijadinho e tornando-se o primeiro intelectual brasileiro a reconhecer o barroco nacional como arte digna de ser admirada. Provavelmente, se não tivesse tido esse contato e conseguido oficializar a importância de sua preservação, toda a obra de Aleijadinho estive perdida, sob a fome incessante dos cupins.
O mesmo trabalho que realizou em Minas, estendeu para São Paulo, visitando, como funcionário do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) , pequenas cidades, fazendas, vilarejos, em busca de obras de arte ou arquitetônicas que merecessem ser tombadas pelo Patrimônio. Comumente comprava, com os poucos recursos próprios, esculturas sacras, somente para preservá-las, para que não fossem destruídas pelo tempo.
Em 1927 partiu para as o que denominou de “viagens etnográficas”, pelo rio Amazonas até o Peru e pelo rio Madeira até a Bolívia. Foi também até a Ilha de Marajó. Essa viagem resultou num diário, que reproduziu no livro “O Turista Aprendiz”.
Não só na literatura e nas Artes Plásticas teve sua importância, mas na Música Popular, reunindo canções folclóricas dos locais por onde passou. Nas palavras de Paulo Duarte: “Mário de Andrade incrementou a pesquisa folclórica e etnográfica, valorizando as culturas populares, no pressuposto de que todos os níveis são dignos e que a ocorrência deles é função da dinâmica das sociedades. Ele entendia a princípio que as criações populares eram fonte das eruditas, e que de modo geral a arte vinha do povo.”
Mário de Andrade, mais que um poeta e escritor, precisa ser lembrado e valorizado como um incessante preservador da Arte Brasileira dos século 20.
