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29 Janeiro 2010
Vários aspectos são notáveis na história de Itu, por ter sido uma cidade de muita força junto à economia do país. Na política, por exemplo, traz em seu currículo títulos aparentemente contraditórios: “a fidelíssima” (com referência à fidelidade que tinha pelo império) e “berço da república” (pois foi num de seus casarões coloniais – hoje Museu Republicano – que se realizou a primeira reunião republicana, visando derrubar o império). Mas essa aparente contradição se desfaz quando se estuda os ciclos político-econômicos do país e fica clara a influência do poder da economia sobre os sistemas de governo.
Nas outras áreas do conhecimento, Itu apresentou ao Brasil (e ao mundo em alguns casos) nomes ilustres, como o pintor Almeida Jr, o maestro Elias Lobo, o regente Diogo Feijó, o padre Jesuíno do Monte Carmelo (pintor e compositor de obras sacras) e o sociólogo Octavio Ianni (que teve uma carreira acadêmica de reconhecimento internacional).
É na cidade que está o segundo mais antigo teatro do estado de São Paulo, o Teatro São Domingos (inativo desde a década de 1920, em função da “pilhagem cultural” que padres jesuítas praticaram sobre o prédio). É também em Itu que se visita a Pedreira do Varvito, de origem glacial, importante ponto de pesquisas para estudantes de geologia e profissões afins.
No século passado, tanto economicamente, quanto culturalmente, Itu ficou estagnada por um longo período, em que tradições religiosas e sociais imperavam sobre “eminentes perigos da modernidade” (talvez isso tenha sido reforçado pela presença do quartel militar instalado na cidade, o que, na década de 1960, representava uma força da tradição).
Esse jejum foi acabando, suave e gradativamente, no final da década de 1970 quando, vindas de diversas cidades do país, famílias migraram para trabalhar no parque industrial que ali se instalava. Ao mesmo tempo, outras tantas pessoas saíram de grandes cidades para morar na novidade do momento: condomínios fechados. O intercâmbio cultural entre esses imigrantes e os moradores locais ajudou muito a cidade a sair da estagnação.
Também nesse período o palhaço Simplício lançou a idéia de que lá tudo é grande. Com as mentiras de seu personagem caipira, apresentado todas as semanas no programa televisivo “A praça da alegria”, Simplício acabou voltando os olhos do país para sua cidade natal e isso gerou um tipo de turismo, até hoje criticado por quem conhece as raízes históricas de Itu, um turismo voltado ao consumo de souvenirs gigantes.
Hoje, porém, o turismo da cidade está mais voltado à história e à ecologia, sendo possível visitar os museus e casarões coloniais, a igrejas, as antigas fazendas de café, e a pedreira do varvito.
Para quem visitar a cidade, além do centro histórico, fica aqui uma dica de passeio: aos domingos, pela manhã, o Armazém do Limoeiro (uma venda rural, com mais de 100 anos e que mantém o charme do passado) tem, em sua varanda, apresentação de Cururu (um gênero de viola e voz em que o cantor improvisa com as pessoas que estão assistindo), com Nenê do Cururu.
É como se diz: “cidade véia tem história pá conta!”
