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04 Dezembro 2009

Famoso por suas expedições marítimas, o empreendedor, escritor e velejador Amyr Klink atendeu a Ubatuba em Revista, para um descontraído bate-papo sobre a vida no mar. Confira.
Ubatuba em Revista - O que acha de Ubatuba?
Amyr Klink - O grande potencial de Ubatuba é o Charter, na minha visão, Ubatuba deveria ser a capital do Charter. Tem tantas praias lindas, Ubatumirim, ilhas e tantos lugares que podem ser visitados. A cidade está em uma localização privilegiada. O aluguel de veleiros (charter) é um patente multiplicador das atividades no turismo, Ubatuba deveria investir mais nisso.
Ubatuba em Revista - E a estrutura náutica da cidade?
Amyr Klink - Ubatuba tem uma vocação náutica bastante peculiar. O Saco da Ribeira é um excelente lugar, com uma boa estrutura. Possui flutuantes, que inclusive acredito Ubatuba ter sido a pioneira. Mas espero que em breve seja feita uma estrutura mais moderna e com melhores serviços de eletricidade, esgoto.
Ubatuba em Revista - Qual o maior desafio da vida a bordo?
Amyr Klink - Acredito que o grande desafio está em resolver pequenos problemas que viraram grandes com o tempo, por isso é importante ter um equipamento bom, durável, com um custo de manutenção baixo.
Um desafio que eu gosto é o de viajar em embarcações que nós mesmos projetamos e fazemos.
Ubatuba em Revista - Quando passa longos períodos isolado no mar, o tédio acompanha?
Amyr Klink - O tédio não existe na vida a bordo, é preciso construir um ciclo de trabalho, a maior parte do tempo passo solucionando problemas, checando, vendo os estados das velas, cabos. No tempo restante, cozinhando e comendo. Não sobra tempo, é uma atividade muito absorvente, impossível de ficar filosofando, pensando na vida, por exemplo.
Ubatuba em Revista - Como é a rotina a bordo?
Amyr Klink - Quando estamos em até dois tripulantes, temos períodos de apenas 45 minutos de sono. De 4 a 6 tripulantes já fica uma rotina mais confortável, como eu prefiro. Assim cada um dorme 2 horas e meia, em 3 períodos do dia, intercalando com a vigília, navegação e demais afazeres.
Ubatuba em Revista - Nos conte uma situação inusitada.
Amyr Klink - Já passei por ondas de 25 metros de altura, e não achei inusitado. Certa vez estava com o barco adernado e atravessei uma “nuvem de lulas voadoras”, elas pularam dentro do barco e fiz um festival de lulas na cozinha depois.
Ubatuba em Revista - Depois de ter adquirido tanta experiência, o medo ainda te acompanha?
Amyr Klink - Sempre tenho medo, mas não é algo que me bloqueia, faz parte.
Eu tenho medo do mar, e por isso faço barcos bem feitos.
Ubatuba em Revista - Como é a recepção quando chegam em um novo destino?
Amyr Klink - Sempre que você chega de longe é bem recebido, normalmente é um dos grandes prazeres da viagem. Se comunicar e conhecer as pessoas locais.
Ubatuba em Revista - O que é imprescindível para ter conforto a bordo?
Amyr Klink - Não ter excesso de coisas, ter o básico, um conjunto de ferramentas e instrumentos que permitam solucionar uma quebra. Também disciplina, descanso, dieta legal e um barco seco e que navegue bem.
Ubatuba em Revista - Você recomenda a vida a bordo para outras pessoas?
Amyr Klink - Não conheço ninguém que partiu para a vida a bordo e tenha voltado. Conheço muitos maus começos, mas de alguém que tenha partido mesmo nessa, e voltado atrás, não conheço. E isso independe da classe social, das dificuldades. Conheço gente que com muito custo conseguiu fazer um barquinho e saiu, e gente com mais dinheiro, mais facilidade e conforto. Em ambos os casos, quem foi, não voltou mais. É muito interessante.
Ubatuba em Revista - Quais os próximos planos?
Amyr Klink - Vou com Paratii 2 para a Antártida. A idéia é operar por 2 anos sem tirar o barco de lá.
Matéria Publicada na Ubatuba em Revista de Novembro #10
