Ubatuba em Revista

A educação informal na preservação da cultura

Nessa toada está a compreensão do que seja Educação. Preservamos um sistema de transmissão de conhecimentos e desenvolvimento intelectual que leve nossos descendentes, cada vez mais para altos graus do reconhecimento científico: graduação universitária, MBA, pós-graduações, mestrados e doutorados (exigidos pelo mercado de trabalho).
Tudo bem, até nos darmos conta de que algumas coisas importantes da educação que havia em casa, no convívio com os vizinhos, nas descobertas espontâneas e empíricas sobre o mundo, suas pessoas e suas coisas, ficaram para trás e nossas crianças de hoje têm mais dificuldade de relacionamento social, porque as salas de aula, o excesso de informações passadas e cobradas nas escolas, e o estímulo à comunicação “internética” (individualizada e, na verdade, muito solitária) não lhes ensinam o desenvolvimento emocional que só a prática da vida oferece.
Num tempo – não muito distante – em que as cidades grandes ainda não estavam povoadas pela neurose de violência e correria familiar diárias e era possível que as crianças brincassem nas ruas e descobrissem parte do mundo pelos seus olhos e vivências próprias, havia uma Educação Informal, que proporcionava um desenvolvimento natural do corpo (a consciência dele e suas capacidades expressivas, no espaço habitado) e da mente (o raciocínio sendo desenvolvido através do experimentalismo).
Felizmente Ubatuba ainda tem boa parte dessa riqueza. É comum vermos crianças brincando nas praças e praias, experimentando e conhecendo o equilíbrio e a elasticidade de seus corpos num jogo de bola, num parque de madeira ou num “pique-esconde”, interagindo com outras crianças que ainda não conheciam (e cada qual trará sua bagagem cultural para trocar com as outras), explorando e conhecendo os locais por onde passam – ruas e seus moradores.
E a riqueza dessa Educação Informal, precisamos preservar. Assim também se faz Cultura.

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista de Novembro #10

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