Ubatuba em Revista

Culturas e tantas mitologias

Todos os outros povos europeus (romanos, nórdicos), asiáticos (chineses, japoneses), médio-orientais (indus, árabes) e americanos, também tiveram e têm seus mitos religiosos de interação com o universo.
Nossos índios brasileiros, tal qual os cristãos europeus que aqui chegaram, têm suas crenças mitológicas. Quem de nós nunca ouviu falar de Tupã (o deus do trovão) ou de Jaci (a deusa Lua) ou da Iara (versão brasileira da entidade mitológica européia Sereia)?
Tanto quanto o mito ocidental de Adão e Eva que perdem o paraíso, povos indígenas do norte do Brasil tinham a lenda da “Árvore de Tamorumu” – uma única árvore, provedora de todos os alimentos de que as tribos necessitavam para sobreviver e que fora destruída pela ganância humana. Qualquer semelhança com a ganância de poder que nossos ancestrais bíblicos apresentaram não é mera coincidência: é arquétipo transformado em mito!
E que forma mais bela de traduzir mitologia aos olhos e ouvidos, senão as Artes? Artes Plásticas, Artes Cênicas, Literatura e Música encontram nesse universo um sem fim de inspirações para suas obras. Desde as antigas tragédias gregas até os dias atuais, todo tipo de artista bebe nas fontes mitológicas.
E assim foi com Paulo Autran, que, no teatro, magistralmente interpretou “Édipo Rei”, com Salvador Dali, na tela “Metamorfose de Narciso”, com Michelangelo, ao esculpir “Davi”, com Debussy na obra musical “Prelude A L’pres-midi d’un Faune” ou Mário de Andrade, que reuniu muitos mitos e figuras lendárias indígenas brasileiras, num único personagem: “Macunaíma”.
Nos dias atuais, a mitologia da moda chama-se ciência que, apesar de muito ter conseguido compreender e explicar do nosso mundo, ainda se depara com uma enormidade de mistérios incompreensíveis, aos quais designa “acaso”. Da mesma forma que há dogmas nas religiões e mitologias, há dogmas científicos – é a mitologia científica.
A mitologia é intrínseca ao ser humano, manifeste-se ela, de maneira religiosa, artística ou científica. Enquanto houver arquétipos não desvendados, haverá mitos. Prá sorte das Artes.

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #23 - Clique aqui e confira a revista na íntegra

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