Isso, no tocante à critica especializada porque, com relação ao grande público, sempre foi exatamente a Comédia que falou diretamente às pessoas, atingindo algo de muito precioso: seus humores. Desde a Grécia antiga, passando pela Idade Média e chegando aos dias atuais, o povo gosta é de rir.
Dentro do gênero, algumas variantes são registradas: a comédia clássica, a comédia de costumes, a revista, a comédia de circo-teatro e outros tantos. Tradicionalmente, vemos uma encenação ou filme cômicos, com a estrutura de início (com apresentação dos personagens), meio (com desenvolvimento do conflito principal) e fim (com resolução desse conflito).
Mas, nos últimos anos, temos visto com muita força no Brasil, o gênero Stand Up (originário nos EUA), um jeito de fazer rir baseado na crônica do dia-a-dia, na rapidez da informação, na atualidade dos fatos. É algo muito próximo às manchetes de que líamos nos jornais impressos e agora lemos nas páginas da internet, mostrado e comentado pelo ator-humorista, com a acentuada pitada da sátira.
Outro produto cultural em alta é o espetáculo de improviso. Os jogos que servem tão bem aos alunos de aulas de Teatro, agora estão expostos no palco. É o que muitos de nós, atores e diretores, dizíamos, brincando, no passado: ”a gente deveria cobrar ingresso para o público assistir aos ensaios; eles estão muito engraçados.” Nossa diversão interna agora vai ao público que, além de ver desvendados os segredos e as técnicas da profissão, conta com o brinde de determinar o tema sobre o qual o improviso será realizado, ou seja, pode “brincar” de diretor teatral.
Num desses espetáculos, o Clube do Improviso (Cia. Nós Mesmos), a média de ataques de gargalhadas do público é de um a cada minuto. O espetáculo dura duas horas. Portanto, são 120 ataques de gargalhada. Claro que as piadas não são guardadas na memória do público – que nem tem a intenção de memorizá-las; quer apenas consumi-las, ao máximo possível, como quem está numa loja de fast food ingerindo seqüencialmente nuggets, refrigerantes, sandwiches, mais nuggets, mais sandwiches, mais tudo.
É o supra-sumo do prazer de rir! Nenhuma comédia, ao longo da história, fez rir na quantidade e na velocidade que o Stand Up ou os espetáculos de improviso fazem hoje.
Está aí a contemporaneidade da arte. Manifesta-se com as características de seu tempo. Nosso tempo é o da alta velocidade das informações. Estamos vivendo a Macdonização das artes.
Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #22 - Clique aqui e confira a revista na íntegra