
Maria Auxiliadora da Silva, 54 anos, dificilmente terá a oportunidade de se ver nesta matéria. Do mundo digital, só conhece as sucatas. “Mas eu não peço dinheiro para ninguém”, orgulha-se. Há 12 anos, ela sai de casa por volta das 4h da madrugada e só retorna ao anoitecer, depois de percorrer as ruas do Perequê Açu e do centro de Ubatuba, atrás de plásticos, vidros e outros materiais recicláveis. “Eu cato no meio do lixo, porque misturam tudo”, afirma.
Desde o fechamento do aterro, no início deste ano, todo o lixo produzido no município é mandado de caminhão para o Vale Paraibano, num ir e vir que custará aos cofres da prefeitura R$ 11 milhões no próximo ano, de acordo com matéria publicada no jornal Imprensa Livre, em 4 de outubro.
Recentemente, o jornalista Washington Novaes comentou em sua coluna no diário O Estado de S.Paulo que a situação da coleta e disposição do lixo no país só não é pior graças aos catadores. Mesmo assim, é difícil encontrar quem colabore com eles. “Eu já fui nas escolas pedir para as moças separarem para mim as latas de massa de tomate e de creme de leite, que vai tudo junto para o lixo, mas elas falam que não têm tempo. “É uma pena, porque tudo isso se aproveita”, lamenta a nossa salvadora.
Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #20 - Clique aqui e confira a revista na íntegra
