Uma confusão muito freqüente no senso comum é a mistura entre Cultura e Arte. Prova disso é que, na quase totalidade dos municípios e estados brasileiros, as Secretarias de Cultura ocupam-se prioritariamente de contratar artistas (para aulas e/ou apresentações) e promover eventos onde manifestações artísticas se apresentem.
Porém, a compreensão do que seja cultura, precisa ser ampliada. Cultura, por definição, diz respeito ao conjunto de conhecimentos e costumes de um povo. Portanto, quando falamos, por exemplo, da Cultura Caiçara, ou da Cultura Nordestina, ou qualquer outra que seja, devemos compreender que nos referimos a uma série de tópicos: linguagem, concepção espacial, referências de vestuário, conceitos morais, alimentação, modo de educação informal das crianças, entre outros tantos – inclusive Música, Dança, Literatura, Artes Cênicas, Artesanato.
Bom seria se o poder público assumisse essa diferença e ampliasse o campo de ação das Secretarias de Cultura e definisse como “braços” dessas, as Secretarias: das Artes, do Patrimônio Histórico, do Patrimônio Imaterial, da Tradição Popular, de Eventos, por exemplo.
Essa nova concepção auxiliaria no entendimento de todas as partes, no que se refere ao assunto: a população saberia melhor o que esperar de cada segmento, a quem recorrer, o que cobrar; os artistas poderiam localizar melhor seus trabalhos e projetos e o poder público ficaria mais organizado e com abrangência mais ampla na área da Cultura.
Outra mudança importante no senso comum é a idéia de que, na área cultural pública, só existem incompetentes. Não é verdade. Há os competentes - apesar de raros e de aparecerem menos. Mas é óbvio que as políticas culturais das cidades e estados não devem mais se restringir a depósitos de funcionários que não tiveram competência para tapar outros buracos, no serviço público. É preciso profissionalizar a Cultura no Brasil.
Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #20 - Clique aqui e confira a revista na íntegra