Na ultima sexta feira (25) estivemos em visita a Santa Casa, conhecendo de perto o novo modelo de triagem de risco, e notamos insatisfação por parte de algumas pessoas. Tratava-se da família de Elisabeth David, uma senhora de 92 anos que aguardava mais de uma hora por atendimento. Segundo Ditinha, sobrinha de Elisabete, ocorreu uma tremenda falta de consideração por uma idosa, que foi enquadrada como nível 3 (confira quadro ao lado), tendo apenas uma prioridade como qualquer pessoa acima de 60 anos, “ela tem mais de 90 anos, tem dificuldades para andar, sente muitas dores por estar aqui sentada, e já passou a hora da refeição e remédios, é bem diferente de uma pessoa de 60 anos” explicou.
Segundo a enfermeira Jéssica* a colocação da idosa em uma fila não emergencial foi correta, pois a paciente apresentava apenas requisito para ser enquadrada no nível 3, que seria a idade acima dos 60 anos. Ao ser questionada sobre a idade muito avançada da paciente, Jéssica voltou a afirmar que mesmo sendo uma idosa de 92 anos, não poderiam colocá-la em uma situação de urgência, a senhora deveria aguardar sem qualquer prioridade adicional.
Elisabete foi atendida apos 100 minutos de espera, mas Jéssica informou que a espera longa também é um problema do baixo numero de médicos, pois no momento em questão existia apenas um atendendo pelo SUS, e outro que se revezava atendendo planos de saúde e SUS.
O sistema denominado “Triagem de Risco,” foi aprovado pelo Ministério da Saúde de São Paulo, Ubatuba é a terceira cidade a implantar. Realmente é uma medida muito interessante e possivelmente eficaz, pois possibilita o correto atendimento, seria muito melhor se houvesse um número de médicos condizente com a necessidade da população, e um pouco mais de bom senso na hora de realizar a triagem, para que outras pessoas em idade avançada como a senhora Elisabete não precisem aguardar, quase duas horas por um atendimento.
PARA ENTENDER MELHOR O NOVO SISTEMA
Os níveis de prioridade são também identificados através de cores.
O nível 1 - VERMELHO, Emergência, compreende casos de risco iminente de morte e são levados para atendimento imediato, como casos de queda, AVC, infarto.
O nível 2 - AMARELO compreende casos de urgencia, como pressão ou febre alta apresentadas no momento da triagem.
O Nível 3 - VERDE é destinado para casos de atendimento prioritário, como grávidas, pessoas acima de 60 anos (como a senhora Elisabete, do início desta matéria), escolta e doadores de sangue.
O nível 4 - AZUL são todos os outros, classificados como não urgência, como retirada de pontos, troca de receitas e dores crônicas, em sua maiorias casos que poderiam e deveriam ser levados ao posto de saúde. Segundo a enfermeira Jéssica, muitos atendimentos não prioritários ocorrem por pessoas saudáveis “a maioria não tem sintomas, quer apenas um atestado”contou.

