Aos fundos, um morroTestemunho de um passado
Remoto ao índio
Remanescente ao caiçara
Ao chão, as areias
Jundús, abricós e guaroças
Em extinção o habitat
Perrexil e sapinhauá
A silhueta retrata
Os pés firmes em terra
Assim como em canoa a rola
Ou em mar a marola
A silhueta retrata
As paralelas das pernas ao remo
Perpendicular a linha mar
Em prumo zênite oposto
A silhueta retrata
A calça dobrada ao joelho
Não esfrega nos artelhos
Não molha no lagamá
A silhueta retrata
Braços fortes e mãos seguras
São cabos, são redes
Que prende o homem ao mar
A silhueta retrata
O rosto a miramar
É refolho no lagamá
Ou cardume a saltitar
A silhueta retrata
O chapéu a sombrear
O sol a escaldar
O suor de dias ao mar
A silhueta retrata
O semblante da esperança
O silêncio da fé
O mistério que no mar festeja
O sacrifício que Deus sobeja
Pelo pescador conquistado
A duros remos braçados