Ubatuba em Revista

Viola de Chiba

fandango

Vários são os chamados “grupos folclóricos” que temos em Ubatuba. Esses grupos estão localizados nos bairros da cidade e cada qual mantém sua tradição musical: uns com Folia de Reis, outros com canções em homenagem ao Divino e outros, ainda, com a tradicional Chiba.
A Chiba é um ritmo cantado, tocado e dançado em grupo. Os pares se colocam frente a frente, uns ao lado dos outros, como que a se formarem duas “paredes” que se olham. A música é tocada por viola, violão, machete (uma espécie de cavaquinho mais rústico), pandeiro e rabeca e acompanhada pelo canto dos pares, que dançam passos muito parecidos com a Catira (dança caipira na qual batem-se os pés, fortemente no chão, para marcar o ritmo). Há, porém, algumas diferenças interessantes entre a Catira e a Chiba.
A primeira é que, enquanto na Catira, apenas os homens tomam parte na dança, na Chiba os pares são formados por homens e mulheres. Outra diferença é que na catira os dançarinos se restringem a bater os pés e na Chiba, além do bater de pés, há também o movimento de arrastá-los, ao compasso da música executada (influência clara das danças indigenas guaranis, da região).
Mas a mais intrigante das características, musicalmente falando, é a afinação das violas. Cada grupo traz à cena uma afinação própria. Quando perguntados sobre em que “tom” está afinada a viola, a resposta vem com certa dúvida:
“Nem sabemo. Aprendemo c´os nosso avô. A gente deixava uma viola sempre afinada, prá guiá a afinação das ôtra. Com o tempo a gente ia acustumando c´o som e aí afinava sozinho. É coisa que vem passando de muito tempo prá hoje.” (Seo Orlando – Folclorista do Prumirim).

Foto: Paulo Zumbi

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #12 - Clique aqui e confira a revista na íntegra

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