
Um português chamado João Ramalho casou com a filha de Tibiriçá, chefe dos índios guaianá, que então ajudaram a capturar índios de outras tribos. Esse acontecimento fez crescer a revolta entre a nação tupinambá. O cacique Aimberê foi um dos mais afetados, pois os portugueses além de escravizá-lo no engenho de açúcar mataram toda a sua família, além de fazer seu pai já bem velho trabalhar até morrer. Foi então que Aimberê convocou todos os outros caciques e tramou a ‘Confederação dos Tamoio’. A guerra estava declarada.
Prontamente Cunhambebe, cacique da aldeia de Ubatuba, hoje Angra dos Reis; liderou a guerra junto com os outros caciques tupinambá, Caakira da aldeia de Iperoig, hoje Ubatuba; Pindobuçu da aldeia, hoje Rio de Janeiro, Aimberê da aldeia Uruçumirim, hoje baia de Guanabara-RJ e o cacique da aldeia tupinikim: Araraí da aldeia guaianá, hoje São Paulo.
Os portugueses no intuito de acalmar os índios trouxeram os jesuítas José de Anchieta e Nóbrega, eles acreditavam que catequizando os índios tudo ficaria bem. No meio desta guerra, índios de um lado e portugueses do outro, surgiram os navios franceses, que tinham o mesmo interesse dos portugueses, dominar o Brasil. Trouxeram presentes e fizeram um trato com Cunhambebe, trocando armas de fogo pelo pau-brasil. Mas o contato com os franceses também trouxe doenças e foi então que Cunhambebe e muitos outros índios morreram. A confederação teve que eleger outro líder, e assim ficou definido que Aimberê, o filho de Cunhambebe, lideraria.
A guerra durou anos e os índios resistiam, a confederação ficou cada vez mais forte, adquirindo a aliança de outras nações indígenas, como os índios Goitacá e Aimoré. Com o fortalecimento, a confederação tramou um plano de ataque, e decidiram pedir conselhos ao padre José de Anchieta, que já havia conquistado a confiança dos índios. Anchieta achou por bem avisar ao rei de Portugal. Uma traição que não trouxe muitos prejuízos, pois os índios descobriram e mudaram totalmente a tática. Os portugueses temeram e solicitaram aos padres Nóbrega e Anchieta intercederem por um tratado de paz com os índios.
Ao serem confrontados pelos jesuítas, a confederação concordou com o tratado, mas Aimberê fez a exigência de que soltassem todos os índios escravizados. E foi assim que no dia 14 de setembro de 1563, aqui em Ubatuba aconteceu “A Paz de Iperoig”, que hoje é simbolizado com um cruzeiro, na praia do centro da cidade.
Tudo parecia bem, até que um dia Aimberê recebeu a notícia que sua aldeia foi queimada e que os portugueses mataram muitos índios e levaram mais de 100 escravizados. Aimberê decidiu lutar novamente. Portugal mandou toda a tropa, e lutaram uma guerra que só acabou com o fim dos tupinambá, índios guerreiros que lutaram de cabeça erguida com amor a sua terra até o fim.
Mas a nação indígena não acabou elas estão vivas, resistindo à gente de pele branca e vestida que até os dias de hoje insistem em massacrar sua cultura e sua sabedoria, o povo indígena não entrega sua terra, eles lutam com toda sua força! Salve o povo Guarani, Xingu, Kayabi, Txukarramãe e tantos outros, e todos nós brasileiros que carregamos nas veias um pouco de cada um, e que podemos juntos fazer uma história melhor.
Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #11 - Clique aqui e confira a revista na íntegra