06 Setembro 2009
Mesmo os observadores mais experientes não conseguem evitar uma olhadinha. Diferente dos tiés que frequentam a cidade, o tié que vive na mata é muito mais arisco, parece que percebe quando olhamos e, rápido sai voando, não importa a distancia.
Sempre digo que para uma boa fotografia do tié é melhor procurar os comedouros existentes na cidade. No meio do mato pode esquecer.
Helmut Sick (1910-1991) considerado o nosso maior ornitólogo, dizia que o tié-sangue Ramphocelus bresilius, é a ave mais bela do Brasil. Claro que há controvérsias. Dia desses participei de outra controvérsia sobre o tié, desta vez entre fotógrafos, para entender qual o verdadeiro vermelho do tié. Existem aves belas para todos os gostos e vermelho do tié para todos os tipos de fotógrafos.
A beleza do macho contrasta com o amarronzado da fêmea e dos juvenis. Não é simplesmente porque os machos são mais bonitos, mas principalmente porque as fêmeas são mais importantes. A beleza dos machos tem a função de atrair a atenção dos predadores e as cores neutras das fêmeas a função de camuflar quando estão nos ninhos. Os filhotes machos demoram em adquirir as cores do pai. Usam as cores da mãe, que não chama a atenção dos predadores, até adquirirem a capacidade de se defenderem sozinhos.
O tié-sangue vive na Mata Atlântica desde o Espírito Santo até Santa Catarina, pode-se observa-lo em todas as épocas do ano, mas agora na primavera é que estará com o seu vermelho mais vivo, digno de controvérsias.

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #10 - Clique aqui e confira a revista na íntegra.
