Ubatuba em Revista

Águia-pescadora uma ave majestosa!

Por conta do livro com fotos de Ricardo Martins “O Encanto das aves” que será lançado em outubro na abertura do IV Festival de Observação de aves de Ubatuba tivemos que ir até o estuário de Santos no município de Cubatão para fotografar os guarás.
São lindos! Essas aves fazem você esquecer que está num dos lugares mais poluídos do país, mas dos guarás falarei em outra oportunidade.
O barqueiro foi contratado por duas horas, seria das nove às onze horas da manhã durante a maré baixa e nem levamos lanche. O lugar é imperdível para os amantes das aves e nós encontramos o cenário ideal para mais de oito horas de trabalho com inúmeras fotos. A maré encheu, choveu, fez frio, muito frio. Deu uma vontade enorme de uma comidinha quente e ficamos na vontade, com os pés gelados e o estomago vazio, durante oito intermináveis horas.
Já estávamos voltando, cansados (cansados mesmo) quando alguém avistou uma ave numa bóia sinalizadora.
- É um urubu. Alguém falou cansado e desinteressado.
Para conferir usei como binóculo a lente da máquina fotográfica para identificar a ave enquanto os outros buscavam os seus binóculos.
- Não é urubu! Afirmei e comecei a clicar assim que ela levantou vôo.
- É uma águia pescadora! Tardiamente alguém gritou enquanto tentava pegar desesperado a sua máquina fotográfica. E eu clicando. Está clicado!
Está ai o resultado.
A águia-pescadora era uma das aves dos meus sonhos. Sonho que considerava impossível por ela ser pouco comum aqui no Brasil. Quando conferi as fotos não acreditei naquele peixe (paraty) que ela carregava., pois nem vi na hora da foto.
Águia-pescadora, Osprey em inglês ou com o nome científico de Pandion haliaetus é uma ave majestosa! Não pelo tamanho, mas pela capacidade de se aproximar dos peixes, em pleno vôo e pesca-los com suas garras sem mergulhar na água. Pescando em pleno vôo! Imaginem a força que ela deve possuir para suportar o impacto na água, agarrar o peixe e alçar vôo em busca de um local seguro para a degustação.
Aqueles dois malucos caçadores de mitos de um programa de televisão fizeram as contas: Fosse para nós humanos realizar o mesmo feito, caso tivéssemos a capacidade de voar e respeitadas as proporções, entre chegar, agarrar o peixe e voltar a voar teríamos o esforço equivalente a mil quilos. Uma tonelada voando! Com esse corpinho que não levanta cem quilos (10%) do chão... sabe quando?
A realidade é que não somos águias-pescadoras. Somos humanos e temos a oportunidade de sermos felizes pelas oportunidades que a vida nos oferece (mesmo com fome e frio, como neste meu caso) de conhecer e avistar essas aves maravilhosas.
Observe aves e seja feliz!

Matéria Publicada na Ubatuba em Revista Semanal #03 - Clique aqui e confira a revista na íntegra.

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